Entrevista sobre inspeção subaquática
Entrevista com Umberto Ezio Enrico Tomasi:
Oceânica: Qual a sua função na Petrobrás?
Umberto: Na Petrobrás exerço o cargo de Técnico de Projetos Construção e Montagem Sênior.
Oceânica: Relate um pouco a sua trajetória profissional.
Umberto: Ingressei na Petrobrás em 1974 na construção da Refinaria Presidente Getúlio Vargas no Paraná. Ao longo destes 35 anos, exerci minhas atividades sempre na Engenharia, tendo atuado em construção, montagem e instalação de plataformas na Bacia de Campos, inspeção de fabricação, construção e montagem de dutos e terminais, planejamento, acompanhamento de projeto, etc. Em 1994 fui transferido para o SEQUI em São José dos Campos onde iniciei na área de Qualificação de Pessoal em Controle Dimensional. Em 1996, iniciei na área de qualificação de pessoal em inspeção subaquática.
Nesta época já estava em andamento a criação do Sistema Nacional de Qualificação e Certificação na modalidade, que foi efetivamente implantada entre 2006.
Oceânica: O que te motiva mais em exercer a atual atividade?
Umberto: O que me motiva são os desafios que se apresentam a cada descoberta da Petrobrás (águas ultraprofundas, pré sal), a possibilidade de participar mesmo que indiretamente do mundo do mergulho com toda a sua complexidade. Eu tive participação no processo de grande parte dos inspetores subaquáticos que atuam hoje no mercado e este fato é motivo de orgulho e satisfação.

Colaborador da Oceânica e Umberto Tomasi
No final da década de 1970, início da década de 1980, a Petrobras iniciou a exploração e produção de petróleo na plataforma continental do Brasil.
Com a instalação das primeiras plataformas fixas de produção de petróleo na Bacia de Campos, surge a necessidade da criação de um sistema de qualificação de pessoal para atuar na inspeção destas tanto para fins de manutenção, quanto para classificação junto às sociedades classificadoras.
A Petrobras através do Sequi, CENPES e do DEPRO (denominação antiga do atual E&P), desenvolveu então o seu sistema próprio para a qualificação de pessoal na área subaquática, tomando como base o sistema já utilizado para o Mar do Norte através do The Welding Institute para o CSWIP.
O sistema desenvolvido previa as qualificações em Ensaio Visual, Medição de Potencial Eletroquímico, Medição de Espessura por Ultra Som, Partículas Magnéticas, técnicas do YOKE e Bobina, Fotografia e Televisionamento.
Na década de 1990, foi desenvolvido o Sistema Nacional de Qualificação e Certificação de Pessoal na área subaquática, fazendo este sistema parte do sistema da ABENDE, Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos.
A principal diferença entre os sistemas ABENDE e Petrobras é que no segundo, o candidato para se submeter ao processo de qualificação deveria necessariamente estar trabalhando em empresa sob contrato com a Petrobras. No sistema ABENDE, qualquer candidato que preencha os pré-requisitos pode se candidatar aos exames de qualificação. No sistema ABENDE, o SEQUI passou a ser um CEQ (Centro de Qualificação) da ABENDE.
A norma que determina as regras para a qualificação é a NA-003 da ABENDE. Todas as informações necessárias podem ser obtidas no SITE da ABENDE (www.abende.org.br).
Atualmente, não mais existem como qualificações isoladas as técnicas de Fotografia e Televisionamento, que na última revisão do NA-003 passaram a fazer parte da qualificação em ensaio visual.
Além das qualificações acima, foi criada ainda a qualificação em ACFM. Esta técnica objetiva substituir ao ensaio de Partículas Magnéticas e tem como principal vantagem o dimensionamento da profundidade da trinca.
Para se candidatar aos exames de qualificação, o candidato deverá comprovar junto à ABENDE os seguintes pré-requisitos:
- Ser mergulhador profissional certificado
- Estar com o exame de saúde atualizado
- Acuidade Visual
- Escolaridade (mínimo ensino médio)
- Treinamento supervisionado por um Nível 3
Os exames são compostos de:
- Um exame teórico Geral com questões de múltipla escolha onde o candidato deverá obter um aproveitamento mínimo de 70%
- Um exame específico sobre o procedimento de inspeção. Este exame é atualmente descritivo, ou seja, o candidato deve escrever as respostas às perguntas formuladas. O candidato deverá obter também um aproveitamento mínimo de 70% neste exame. Os procedimentos sobre os quais o candidato será argüido podem ser consultados e impressos no mesmo site acima.
- Um exame prático que no caso do ensaio visual tem duas etapas, uma emersa e uma submersa e nas demais apenas a submersa. Neste exame o candidato deve obter um aproveitamento mínimo de 80%.
Caso não obtenha resultado satisfatório nos exames, o candidato receberá uma lista de verificação indicando os pontos onde falhou. Estas listas servirão principalmente para orientar o seu retreinamento.
Caso aprovado, o candidato recebe da ABENDE um certificado e uma carteira indicando as modalidades para as quais está apto a atuar como inspetor qualificado e certificado.
O mercado de trabalho para o inspetor subaquático qualificado é bastante atraente. O inspetor subaquático qualificado atualmente tem um campo de trabalho que não se limita à Bacia de Campos. A Petrobras está aumentando as exigências nas bacias do nordeste e também para a inspeção de estacas de píeres, monobóias e outras estruturas marítimas. Além disso, há ainda a inspeção de barragens, pontes e outras estruturas que com o desenvolvimento passarão certamente a exigir inspetores qualificados.
Finalmente, o profissional qualificado deve estar permanentemente em desenvolvimento, pois a velocidade de evolução das técnicas e equipamentos utilizados é acelerada. Podemos citar como exemplo, a fotografia e o televisionamento que até há pouco tempo eram feitos através de aparelhos convencionais e atualmente é digital.
Umberto Ezio Enrico Tomasi
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